Notícias, informações e curiosidades sobre a música country e sertaneja

10 Grandes Sofrências do Sertanejo

10 grandes sofrências do Sertanejo

Este artigo do Música Country Brasil mergulha nas 10 Grandes Histórias de Sofrências e traição no sertanejo que ilustram essa mudança cultural, focando em como as histórias contadas de poder e de superação transformaram a sofrência do sertanejo em um universo de sentimento e superação.

10 Grandes Sofrências do Sertanejo: O novo rosto da Sofrência

A traição é, historicamente, um pilar da música sertaneja. Nas décadas passadas, o tema era dominado pela dor e pelo lamento, frequentemente pela perspectiva masculina na mesa do bar ou pela aceitação passiva do destino.

No entanto, a ascensão das grandes cantoras do sertanejo na última década virou esse jogo. Com as cantoras se destacando, veio a visão do lado feminino também, com letras ousadas e narrativas diretas. Artistas como Marília Mendonça, Naiara Azevedo e Maiara & Maraisa tiraram o personagem feminino da posição de vítima passiva e o colocaram no centro da ação, seja como a traída que reage ou até mesmo como a traidora.

De repente, a sofrência não era mais só sobre chorar, mas sim sobre o “superar”, a imposição de limites ou sobre o sentimento complexo, independente de qual lado da história você está.

5 Grandes Sofrências do Sertanejo (Interpretes Masculinos)

Para entender a mudança, é crucial lembrar como o tema era tratado. As músicas clássicas frequentemente focavam no sofrimento do homem, que pedia perdão ou lamentava a perda ou traição da sua amada, e a mulher geralmente era a figura que se afastava.

“Ainda Ontem Chorei de Saudade” (João Mineiro & Marciano):

Este modão foca na dor e na saudade de um amor perdido devido a um erro (geralmente interpretado como a infidelidade da parceira ou o distanciamento após um erro). O foco é no lamento do homem que se sente abandonado e vulnerável.

“Vidro Fumê” (Bruno & Marrone)

A narrativa do homem traído que descobre, mas não confronta imediatamente, fazendo um “último amor de despedida” sem que a traidora saiba que foi descoberta. Um sofrimento contido, sem explosão de raiva.

“Dormi na Praça” (Bruno & Marrone)

 Este modão é o retrato perfeito da desolação após uma traição ou abandono. O narrador implora para voltar e lamenta estar “dormindo na praça” por causa do rompimento causado pelo erro da parceira. É um símbolo da vulnerabilidade e da dependência masculina ao perder um grande amor.

“Não Olhe Assim” (Leandro & Leonardo)

A dor do reencontro. A traição já ocorreu no pasado, e a tristeza do homem é revivida ao rever o antigo amor. A letra é profunda, reforça que há um grande amor além da mágoa e um medo de dar outra chance e sofrer novamente.

“Pátio do Posto” (Zé Neto & Cristiano)

Esta canção, apesar de ser do sertanejo moderno, é contada do ponto de vista do amante. A letra narra a pressa e o nervosismo da mulher que trai, que confere o pescoço e a roupa antes de voltar para a vida oficial. O tema é a ação da traidora, mas a música foca na solidão e no ódio contido do amante, que não pode ter ciúmes e precisa aceitar a despedida no posto.

5 Grandes Sofrências do Sertanejo (Interpretes Femininas)

A nova geração de cantoras trouxe um protagonismo lírico para o personagem principal, se colocando no lugar de traída e de traidora. Passando a expor o lado feminino quando as consequências de um erro, independente do lado, levam ao rompimento, mudando a dinâmica da história de uma forma mais complexa e ativa.

“Infiel” (Marília Mendonça)

O marco do confronto direto no sertanejo moderno. A letra coloca o personagem traído no controle da situação, narrando a descoberta e a imposição imediata de consequências – neste caso, a expulsão do parceiro infiel – simbolizando a virada do jogo narrativo, onde a vítima passa a ser o agente de sua própria história.

“50 Reais” (Naiara Azevedo part. Maiara & Maraisa)

A narrativa do flagrante transformado em ironia. O personagem traído usa o sofrimento como motor para a ação e o deboche, controlando o momento ao oferecer dinheiro para a conta do motel. É uma demonstração incrível de controle emocional no ápice da mágoa.

“Amante Não Tem Lar” (Marília Mendonça)

Uma inovação que foca na análise psicológica da traição feminina. A canção adota a perspectiva da amante, que reflete sobre o vazio de sua posição, introduzindo uma camada de complexidade e humanidade ao tema.

“Motel” (Maiara & Maraisa part. Marília Mendonça)

Focado na revolta e na exigência de respeito após a descoberta. A letra expressa a fúria ao saber que o traidor usou um local de intimidade do casal para o ato extraconjugal, focando na violação do espaço afetivo e na cobrança de dignidade.

“Descontando Traição” (Luiza Martins)

A representação da superação ativa e do “troco lírico”. O foco é na autonomia emocional, onde o personagem não se limita a expulsar o traidor, mas segue em frente e narra a construção de um novo relacionamento, usando a experiência como propulsora de uma nova fase de vida.

 

A grande contribuição da nova safra de cantoras foi a mudança de perspectiva lírica. Elas expandiram o universo temático, mostrando que o personagem principal pode estar em qualquer posição — seja reagindo à traição, refletindo sobre o ato de trair ou analisando o papel de amante.

Nossa opinião sobre o assunto:

Essa expansão e a inclusão de diferentes pontos de vista garantiram o sucesso estrondoso dessas artistas, pois elas deram trilha sonora a uma experiência emocional mais real da desilusão amorosa, aumentando a identificação com o público feminino, muito mais amplo que buscava novas formas de expressar a sua “sofrência” na música.

O tema da traição, abandono e sofrimento no sertanejo passou por uma metamorfose épica. Se antes ele falava apenas sobre o lamento e a vulnerabilidade, hoje ele fala sobre a ação, o confronto e a pluralidade de sentimentos, seja na visão da traidora ou do traído, do abandonado ou de quem abandona.

O sucesso dessas 10 histórias e de outras que virão é a prova de que o público busca autenticidade nas letras, fugindo de narrativas e politicagens sobre minorias. No caso das cantoras do sertanejo, o mercado encontrou uma versão que abraça um outro ponto de vista, um que explora a visão feminina do sentimento e em nada tem haver com machismo ou feminismo.

Gostou desse artigo? Então siga nosso perfil no tiktok!

Sair da versão mobile